Um par de sapatilhas
Uma multidão de sapatilhas ouvia uma palestra sobre qualquer coisa pouco importante ou sem interesse nenhum. Muitas entretinham-se a conversar e outras, numa tentativa de passarem despercebidas, brincavam, em silêncio, com um avião ou entrelaçando atacas.
Foi então que duas sapatilhas, que sempre se tinham ignorado, se viram juntas graças a uma brincadeira em jeito de passatempo. E depois surgiu o desafio “vamos conseguir chegar ao destino juntas?”…
As sapatilhas ergueram-se e começaram o seu percurso, muito concentradas em seguirem coordenadas.
Surgiram umas escadas, mas nem isso se tornou um obstáculo.
Aproximaram-se duma porta que lhes abriu horizontes para um mundo desconhecido e uma sapatilha invejosa fê-las tropeçar.
Não desistiram e continuaram…
Outras escadas apareceram e desta vez eram muitas mais. Mas a vontade de chegar ao fim ajudou aquele par de sapatilhas a continuar.
Quase no final das escadas novo tropeção. E mais uma vez se levantaram para continuarem.
Uns passos mais à frente outro tropeção, mas nem essas quedas fazem com que o nó se desaperte, pelo contrário, só o apertam mais.
E foi a última vez que caíram, a partir daí já nada derrubou as sapatilhas pois as atacas são especiais. Partilham momentos de ansiedade, felicidade, dificuldades e sentimentos novos. Preocupam-se sempre em proteger a outra ataca, em mantê-la bem… E juntas triunfam, apesar do medo mútuo que aquela ligação se desfaça.
Um nó fez com que duas atacas se transformassem numa, ligando inseparavelmente duas sapatilhas, pois é um nó demasiado perfeito. E se começar a ficar laço basta dar-lhe um apertão.


1 Comments:
Na viagem não fomos sozinhos, tivemos um pijama e um corvo a ajudar-nos. Além disso fizemos o início da viagem dentro de um avião, essa parte do percurso não teria sido fácil de se fazer a pé pois o destino ainda estava longe.
Comentei isto sendo uma sapatilha, lapso da minha parte, sou duas agora.
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